Certamente uma das dúvidas mais frequentes na rotina do ginecologista é se a secreção vaginal é ou não comum. Em primeiro lugar, é importante termos o conhecimento do corpo e sabermos como ele funciona. Ficar sempre em observação quanto as modificações normais, durante o ciclo menstrual orienta sobre o que pode ser esperado para aquele momento, tanto em relação às secreções/corrimento vaginal quanto a emoções.
Agora vamos falar das secreções? A realidade é que muitas mulheres, mas muitas mesmo, interpretam processos fisiológicos normais como presença de doença. Por exemplo, existe a crença de que não deveria haver secreção na região genital, porém não é assim já que vulva e Vagina são locais de umidade.
Acima de tudo, o fluido vaginal é normal e poderá variar de acordo com: idade, fase do ciclo menstrual, gravidez, uso de anticoncepcional ou terapia hormonal, excitação, relação sexual, hábitos de higiene e umidade entre outros fatores, até a alimentação. Essa secreção fisiológica e comum faz parte de um mecanismos de defesa e equilíbrio da genitália, além de facilitar a atividade sexual.
É normal que a secreção vaginal tenha mudanças cíclicas em relação à aparência, consistência, odor e volume. A secreção normal poderá ser fluida, cremosa ou elástica. Aproximando-se do período de ovulação, a secreção aumenta em volume e parece clara de ovo, após retorna com o aspecto mais cremoso ou pegajoso. A modificação da cor ao longo do dia é comum, podendo ficar de esbranquiçada a amarelada no fundo da calcinha. A secreção fisiológica não tem odor ou se for percebido é algo suave, não incomoda.
Além disso, existe o fluido vaginal que pode sinalizar infecção, em outras palavras, chamamos de corrimento. O mais importante é observar mudanças nos padrões da textura (tipo “queijo cottage” ou espumosa), da cor (cinza, esverdeado, amarelado a marrom), do volume e do cheiro (peixe ou odor forte). Essas alterações da secreção (corrimento) podem aparecer acompanhadas de coceira, ardência, inchaço, vermelhidão e até dor pélvica. Logo, indicam que a mulher deverá procurar seu ginecologista.
Aplicativos, por exemplo o Clue, utilizados para acompanhar o período menstrual também orientam sobre os aspectos característicos do ciclo em cada época.
Escrito por Dra. Aparecida Monteiro (CRM 5266966-0) Médica Ginecologista e Obstetra, Mestre em Saúde da Mulher, conheça mais: @dra.aparecidamonteiro
Fontes utilizadas:
http://www.adolescenciaesaude.com/detalhe_artigo.asp?id=132
https://www.uptodate.com/contents/bacterial-vaginosis-clinical-manifestations-and-diagnosis
https: //www.uptodate .com / contents / corrimento vaginal em mulheres adultas além do básico
https://kidshealth.org/en/teens/vdischarge2.html
https://www.mayoclinic.org/symptoms/vaginal-discharge / basics / definition / sym-20050825
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